A famosa opinião presidencial sobre os automóveis brasileiros em 1989 pode ser adaptada para estimular o mercado imobiliário a rever seus critérios de desenvolvimento de produtos e deixar de fazer “mais do mesmo”.
O viés de alta dos juros dos últimos meses já se reflete na ponta do endividamento crescente da população e pode levar ao crescimento das taxas de inadimplência.
Esquecidos pelo mercado, alguns dos maiores e tradicionais hotéis de São Paulo cedem seus edifícios-ícones a usos muito menos glamorosos e rentáveis, em retrofits não planejados e pouco criativos.
Alguns empreendimentos em preparação pelas empresas de incorporação imobiliária envolvem grandes glebas de terra e sugerem uma leitura ampliada dos conceitos de implantação urbanística
Administração pública demora para reconhecer os sinais que determinam vetores potenciais de desenvolvimento das cidades e perdem a chance de induzir melhores ocupações urbanas.
Em 1988 algumas publicações européias como a revista francesa Urbanisme surpreendiam os profissionais da arquitetura e urbanismo brasileiros com análises gráficas do desenvolvimento urbano sobre fotos e mapas impressos. Vinte anos depois, o Brasil pode surpreender o mundo com análises dinâmicas do desenvolvimento urbano, sobre mapas digitais.
Até o mais desatento telespectador das olimpíadas certamente observou a qualidade do desenvolvimento urbano de Pequim. Será que conseguiremos fazer algo parecido para sediar a copa de 2014?
As novas propostas de moradia e trabalho nas grandes (e médias) cidades criam núcleos fechados de relacionamentos e tornam o território urbano ainda mais hostil.
Últimas estatísticas sobre a expectativa de vida da população e adultos economicamente ativos versus o número de aposentados acendem um sinal amarelo nos critérios de evolução do potencial de consumo.
Crescimento da economia, maior número de empregos formais e a explosão do crédito modificam os cenários de demanda em todas as cadeias produtivas e desafiam o planejamento estratégico das empresas.