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Urban View

11/04/2011

Para onde caminha São Paulo?

A região metropolitana de São Paulo é a quinta maior aglomeração humana do planeta. São 19,4 milhões de pessoas vivendo na capital paulista e nas outras 38 cidades cujas fronteiras políticas já são quase imperceptíveis.

Quem vê esses dados impressionantes mal imagina que durante três séculos da era colonial São Paulo foi apenas uma vila voltada à agricultura de subsistência. Foi apenas quando a economia cafeeira do Sudeste começou a se desenvolver que a capital cresceu. O início da integração com os municípios vizinhos data de 1970. Com a expansão de atividades fabris a população quase triplicou em duas décadas.

A expansão horizontal da capital gerou aos poucos uma conurbação, nome dado ao fenômeno que acontece quando quando duas ou mais cidades se unem a ponto de apagar seus limites geográficos. Aos poucos, uniu-se à conurbações vizinhas, dando origem à metrópole brasileira por excelência.

A economia paulista apagou os conceitos de centro e periferia e não dá sinais de exaustão. Estudo recente de uma grande consultoria projetou que até 2025 a metrópole paulista ganhará chegará aos 21,4 milhões de pessoas. Nos próximos 15 anos, a região vai dobrar o PIB para 782 bilhões de dólares e alcançar a posição de sexta metrópole mais rica do mundo - quatro colocações acima da atual.

 

 

 

 



Densidade de População
Pesquisa Origem e Destino - 2007
Síntese das informações da Pesquisa Domiciliar - dezembro de 2008


 

 

 

 

 

Perfil da Mancha Urbana
Pitu - Plano Integrado de Transportes Urbanos - 2020

Mas a marcha do crescimento econômico e populacional já está esbarrando em algumas barreiras intransponíveis, devido à própia configuração da cidade. O desenho do Rodoanel, que está sendo construído em torno do centro da região metropolitana, dá algumas pistas dos limites que estrangulam São Paulo.

Ao norte da metrópole, a Serra da Cantareira e áreas de preservação formam um limite natural para o avanço da metrópole. Na direção leste, a tendência é observar uma conurbação mais forte com os municípios vizinhos, como Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Poá e Suzano. No sul São Paulo esbarra no Grande ABC – Santo André, São Bernardo e São Caetano já encontram-se no início de um desenvolvimento vertical justamente por não contar com mais espaço para crescer. Há ainda as bacias hidrográficas das represas Billings, Guarapiranga e dos rios Capivari e Mono.






















Mapa de Estudo de Origem e Destino
Fonte: Banco de Dados Urban Systems

O cenário mostra a descentralização de São Paulo em direção à zona Oeste como uma possibilidade interessante. Desviando do desenvolvimento de Osasco e Taboão da Serra, encontra-se forte potencial de crescimento horizontal nos eixos Anhanguera-Bandeirantes e Castelo Branco. Nessa direção estão os mais modernos vetores de saída da capital, que conversam facilmente com o interior do estado.

Por um lado está Cajamar, que vê o início de sua fase de desenvolvimento. Ainda sem demonstrar sinais de seu potencial e com investimentos tímidos em infraestrutura, a região vai depender da boa vontade pública e privada para atingir seu potencial.

O outro grande vetor de crescimento é a região de Barueri, Alphaville e Santana do Parnaíba. Essa conurbação já funciona como uma extensão de São Paulo. Os investimentos públicos e privados que vêm acontecendo de forma efetiva há décadas garantiram uma infraestrutura urbana consolidada, com a presença de redes de luz, água e esgoto e uma boa oferta de transporte coletivo e de vias para transporte individual.

A região desenvolveu-se como um importante polo empregatício, apresentando constante crescimento de vagas de trabalho. Entre 2006 e 2008 houve crescimento de 3,6% no número de vínculos empregatícios, com destaque para o setor de serviços, gerador de 6.500 novos postos de trabalho. Atualmente, Barueri é hospedeira de grandes empresas nacionais e multinacionais.

Segundo dados de uma pesquisa de origem e destino desenvolvida em 200 pela Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos, 40,3% das viagens realizadas para o município de Barueri são motivadas pelo trabalho. Quando analisada a Zona de Tráfego (unidade territorial básica utilizada no estudo) de Tambore, onde localiza-se o centro comercial e empresarial de Alphaville, percebe-se uma dependência ainda maior das atividades trabalhistas, responsáveis por 68,8% das viagens.


































Densidade de Empregos
Pesquisa Origem e Destino - 2007
Síntese das informações da Pesquisa Domiciliar - dezembro de 2008

Entretanto, o eixo de desenvolvimento Baureri-Alphaville-Santana do Parnaíba também vem sofisticando-se ao longo dos anos. Atividades de compras e lazer que antes eram realizadas nos principais centros comerciais de São Paulo ganham força na região com a chegada do Shopping Iguatemi Alphaville e a expansão do Shopping Tamboré.

A conjuntura urbana composta pelos vetores empregatícios e comerciais juntamente com a grande presença de condomínios residenciais de alto padrão transformam a região em um polo centralizador de atividades e fluxo, conferindo-lhe uma autonomia em relação a São Paulo.

A região transformou-se em uma centralidade com vida própria, onde é possível morar, trabalhar, estudar e se divertir. Esse caminho bem trilhado promete um futuro estável para a região, que se já se consolida como forte aposta imobiliária residencial, comercial e industrial.

Daqui a 20 anos, o cenário da região metropolitana de São Paulo será bastante diferente do que encontramos hoje. É grande a possibilidade de que esse seja o caminho trilhado pelo crescimento paulista.


















Alphaville - 2006
Fonte: Banco de Dados Urban Systems























Mapa de Estudo de Origem e Destino
Fonte: Banco de Dados Urban Systems

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