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Urban View

07/04/2011

Os centros urbanos do século XXI

Hoje 19,4 milhões de pessoas vivem na região metropolitana de São Paulo. A quinta maior aglomeração humana do mundo agrega 39 cidades com fronteiras já quase imperceptíveis. E esse número não para de crescer: em 15 anos a previsão é que sejamos 21,4 milhões de pessoas.  

O problema é que não há muitos caminhos para esse crescimento. São Paulo esbarra com a Serra da Cantareira e com áreas de preservação ambiental a norte; com a conurbação dos municípios Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Poá e Suzano a leste; e ao sul com o Grande ABC e com as bacias hidrográficas das represas Billings, Guarapiranga e dos rios Capivari e Mono. A única opção viável é a zona Oeste, e os investidores já estão de olho na região.

Há algumas décadas os municípios ali funcionavam basicamente como cidades-dormitório. As tentativas de desenvolvimento eram frustradas pela falta de infraestrutura: mesmo com uma lei de incentivos fiscais promulgada pela câmara municipal em 1967, a cidade de Barueri não conseguia atrair empresas ou indústrias.













A construção de Alphaville entre os municípios de Barueri e Santana do Parnaíba em meados da década de 1970 mudou a situação. Os lotes destinados a indústrias, empresas e residências eram permeados por ruas asfaltadas, largas e arborizadas e contavam com telefonia e rede de água e esgoto. O jornal A Folha de S. Paulo declarou em 1975 que tratava-se da chance de “redenção de Barueri”. Realmente a prosperidade subiu a Castelo Branco: Barueri tem hoje o 13º maior Produto Interno Bruto (PIB) do país. A renda média mensal domiciliar da região é de R$ 3.279,54 e 68,3% das residências são imóveis próprios.

A região desenvolveu-se a ponto de contar com ofertas antes disponíveis apenas nos grandes centros: está bem equipada nos quesitos saúde, educação, compras e lazer.

Há 145 estabelecimentos de ensino básico na região, dos quais 82% são públicos. Funcionam também oito estabelecimentos de ensino superior – sete privados -, que oferecem 50 cursos de graduação e pós-graduação. Além disso, a Universidade de São Paulo (USP) está a cerca de 20 quilômetros.

 

 


Existem também 10 hospitais e prontos-socorros, 46 clínicas médicas, 23 postos de saúde, 13 laboratórios e 12 farmácias.

Na hora das compras, há centros comerciais completos, Shoppings como o Tamboré e o Alphaville, e até 2011, o novo Shopping Iguatemi Alphaville. São também 11 supermercados e hipermercados com as principais redes do país.

Para a diversão há o Parque Ecológico do Tietê, núcleo Ilha do Tamboré, uma área de 1,5 milhões m² com áreas de preservação de de lazer. O Alphaville Tênis Clube e mais sete clubes oferecem opções para os esportistas. Há ainda cinema (o Shopping Tamboré tem nove salas), uma casa noturna, 16 bares e 53 restaurantes.

A configuração desses municípios permite morar, trabalhar, estudar e se divertir na mesma vizinhança, a uma distância que permite aproveitar as vantagens típicas da vida urbana da capital paulista. Para muitas pessoas esse é o modelo ideal de lógica urbana, um conceito que representa as necessidades e aspirações de cada morador de uma cidade. Para os estudiosos, é um fenômeno urbanístico denominado edge city.
























 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




As edge cities são cidades no entorno das grandes cidades. Planejadas e instaladas fora das metrópoles, são formadas por conjuntos de residências rodeados por centros comerciais, escolas, hospitais, prédios de escritórios e opções de lazer. O conceito surgiu nas décadas de 1950 e 1960 nos Estados Unidos, com um movimento de êxodo urbano gerado pelas consequências do superdesenvolvimento dos centros: falta de espaço para a construção de novas empresas e indústrias, engarrafamentos, escassez de transporte, desaparecimento do verde e aumento da criminalidade.

O jornalista norte-americano Joel Garreau, autor do livro “Edge City: Life on the New Frontier”, afirma que as edge cities são a versão das cidades do século XXI, enquanto as metrópoles representam o modelo do século XIX. Isso porque essas soluções urbanísticas dão origem à cidades policêntricas, desafogando os grandes centros urbanos e permitindo seu desenvolvimento contínuo.  

A parcela da população que já deixou a capital em busca da qualidade de vida oferecida pela edge city existente no eixo Barueri-Alphaville-Santana do Parnaíba contribui para a manutenção de um ciclo de consolidação da região como uma centralidade independente. Os impostos pagos são revertidos em melhorias na região, o que valoriza a área e atrai mais moradores e investidores.




 

 


 

 

 





 



 



 

 

 




O nível sociocultural da população que chega à área e o êxito de vendas do número crescente de lançamentos imobiliários corporativos já dá sinais do nascimento de uma nova lógica urbana. A criação de postos de trabalho em diferentes níveis e a oferta de mão de obra adequada para cada um deles reduzirá as viagens ainda frequentes entre a região e a capital. A rodovia Castelo Branco, que funciona quase como uma avenida de ligação com São Paulo, deverá aos poucos dividir o status de conexão principal, com as alternativas, de acessos pela Anhanguera e Rodoanel deflagradas pelos novos desenvolvimentos imobiliários que favorecem ainda mais a nova centralidade e sua conexão com a região metropolitana.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Nesse ponto, também a zona Oeste vai esbarrar com barreiras intransponíveis. E quem investiu em Baureri, Alphaville e Santana do Parnaíba conhecerá as vantagens da valorização patrimonial - em função do esgotamento de grandes glebas disponíveis para desenvolvimentos horizontais - aliada ao planejamento urbano. O desenvolvimento urbano pelo qual a região passa é fruto da associação bem-sucedida entre poder público e iniciativa privada, que procura garantir à região seu padrão de qualidade de vida acessível agora a diversos padrões sócio-econômicos da população.

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