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João Penido
Da Oeste Comunicação
Mais pujante dos pólos do agronegócio brasileiro, Luís Eduardo Magalhães aguarda a divulgação de dados regionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2009 para comemorar sua inclusão entre as dez maiores economias da Bahia. O Município fechou 2010 na décima-terceira posição.
Seu Produto Interno Bruto (PIB), que em 2006 foi de R$ 841 milhões, saltou para R$ 1,165 bilhão em 2007 (+ 38,5%) e para R$ 1,538 bilhão em 2008 (+ 32%). Com certeza, já ultrapassou o PIB de Barreiras, que foi de R$ 1,186 bilhão em 2006, de R$ 1,407 bilhão (+ 27%) em 2007 e de R$ 1,597 bilhão (+ 13,5%) em 2008. De 2006 a 2008, Luís Eduardo cresceu 82,8% e Barreiras, 34,6%.
A renda per capita de Luís Eduardo é uma das maiores da Bahia – R$ 31.422,34 -, superando os R$ 11.773 de Barreiras. Luís Eduardo Magalhães é uma das cidades que mais crescem no Brasil, o que justifica o título de Bric baiano, alusão aos países que mais crescem no mundo (Brasil, Rússia, Índia e China).
A população, que era de 18 mil habitantes em 2000, no nascimento do município, pulou para 60 mil no Censo de 2010 do IBGE (aumento de 328%) e, segundo estudo da Urban Systems, poderá ultrapassar Barreiras em 2018, se o ritmo de crescimento continuar frenético.
A Taxa Geométrica de Crescimento Anual (TGCA) da população de Luís Eduardo foi de 8,3% entre 2007 e 2009, enquanto a dos municípios da microrregião de Barreiras ficou em 1,69%, de acordo com a Urban Systems.
O Bric baiano é impulsionado pelo agronegócio. Embora seu território tenha apenas 405 mil hectares, dos quais 56% estão ocupados por lavouras, Luís Eduardo tem sua economia movimentada por grande parte da produção agrícola da região Oeste, que impulsiona sua agroindústria, o comércio e os serviços.
Embora detenha em torno de 15% da produção agrícola do Oeste, o Município movimenta mais da metade do que é colhido, via processamento de grãos ou via exportação. Aqui estão instaladas a maior esmagadora de soja da Bunge e da América Latina e grandes exportadoras, como a Louis Dreyfus.
O município é o quinto maior exportador do Estado, com vendas de US$ 486 milhões no ano passado, apesar da queda de 9,52% na comparação com 2009. Barreiras exportou US$ 262 milhões.
Para o mercado externo, saíram de Luís Eduardo no ano passado 1,1 milhão de toneladas de soja e derivados, 38,8 mil toneladas de algodão e derivados, 4,3 mil toneladas de mamão e 1,5 mil toneladas de café em grão.
Agricultura. A principal atividade é a agricultura, de alta tecnologia e produtividade, que ocupa extensas áreas, muitas delas irrigadas por pivôs. A agricultura familiar ocupa 12.500 hectares, correspondentes a 3% do área total.
As principais culturas são a soja, o algodão, o milho, o café, destacando-se no momento o rápido crescimento do algodão. Luís Eduardo produz também arroz, feijão, mandioca, sorgo, mamão, laranja, limão, abacaxi, banana, goiaba, abacaxi e maracujá, segundo o Censo Agropecuário de 2009 do IBGE.
A pecuária é de alta qualidade tanto na área genética quanto na tecnológica. Destaca-se no momento a implantação da empresa de confinamento Captar, para engorda de bois. Serão 12.500 cabeças por ano, de 2011 a 2014, totalizando 50 mil bois em quatro anos.
A pecuária contará este ano com a instalação, pela Secretaria municipal de Agricultura, de um abatedouro e do Serviço de Inspeção Municipal, os quais abrirão caminho para a chegada de novas indúsrias ao município.
Luís Eduardo é um dos cinco municípios brasileiros que sediam um dos maiores eventos de equipamentos de alta tecnologia destinados ao agronegócio, a Agrishow.
Este evento, que teve a sua primeira edição em Ribeirão Preto (SP), e depois se expandiu por Rondonópolis (MT) e Cascavel (PR), adotou em Luís Eduardo o nome de Bahia Farm Show, sendo realizado entre 31 de maio e 4 de junho.
Construção. O número de alvarás para construir triplicou de 2009 para 2010, passando de 320 para 940. Em 2011, até 15 de fevereiro, foram 147 alvarás. O número de “habite-se” expedidos duplicou, passando de 408 em 2009 para 834 em 2010. Em 2011, até 15 de fevereiro, foram expedidos 127 “habite-se”.
A cidade tem edifícios residencias de alto luxo, de seis a doze andares, bem como condomínios horizontais com campo de golfe e pista de pouso para pequenos aviões.
Indústria. O parque industrial de Luís Eduardo é composto por empresas líderes em seus segmentos, inclusive vinte multinacionais, entre elas a americana Dow Agroscience, a francesa Louis Dreyfuss e a espanhola ESA.
Entre as empresas pioneiras que se instalaram no município, destaca-se a Ceval, indústria de esmagamento de soja incorporada pela Bünge Alimentos, hoje a maior unidade esmagadora de soja da América Latina.
Outra pioneira é a Galvani, único grupo brasileiro na produção integrada de fertilizantes fosfatados, que começou a operar em Luís Eduardo em 1992, quando a cidade ainda era distrito de Barreiras, chamado Mimoso do Oeste.
No Centro Industrial do Cerrado (CIC), que ocupa área de 260 hectares (ou 3,1 milhões de metros quadrados) na cidade, há 68 empresas, sendo 27 instaladas e 41 em instalação. Essas indústrias, quando estiverem produzindo a plena capacidade, terão gerado 5 mil empregos diretos. Dentre os grandes grupos nacionais instalados no Centro incluem-se Mauricéa, Icofort, Coringa, Mongipex e São Braz.
Comércio. O comércio de Luís Eduardo é suficiente para atender a demanda de seus habitantes, tanto na área de alimentos quanto em produtos e implementos agropecuários e construção civil. O próximo passo será a chegada dos shopping-centers. Dois grupos já compraram terrenos na cidade para construí-los. O comércio prospera com o avanço do agronegócio, com destaque para o de máquinas agrícolas e o de combustíveis. O comércio de máquinas agrícolas na região Oeste da Bahia cresceu 25% em 2010, faturando cerca de R$ 400 milhões. No comércio de combustíveis destaca-se o Posto Imperador, com área de 73 mil metros quadrados. O posto recebe 6.900 caminhões por mês e vende uma média de 1,8 milhão de litros de diesel por mês. Na época de colheita, as vendas chegam a 3 milhões de litros de diesel por mês. Comércio e serviços concentram 58,9% dos empregos formais do município. O número total de trabalhadores formais em Luís Eduardo deverá aumentar 570% em dez anos (de 2010 a 2020), pulando de 14,4 mil para 82 mil, de acordo com a Urban Systems.
Há seis bons hotéis na cidade, com diárias ainda baratas em relação a outras cidades do interior e ao poder aquisitivo da população local. No luxuoso Saint Louis, com oito andares e elevador panorâmico, as diárias vão de R$ 119 a R$ 350 (na suíte presidencial). No entanto, os hotéis aproveitam a superlotação da cidade durante a Bahia Farm Show, de 31 de março a 4 de junho, para elevar os preços, alguns deles chegando a triplicá-los.
Empresas. O número de empresas existentes em Luís Eduardo (incluindo micro empresas individuais) mais que dobrou em dois anos, saltando de 1.827 em 2008 para 4.600 em 2010. Luís Eduardo foi o primeiro município do Oeste a criar lei específica para micro empresas, em 2009, e tem hoje mais de 1 mil cadastradas.
A cidade está em primeiro lugar na Bahia e entre as primeiras do Brasil no percentual de empresas formalizadas em relação à população. Se uma empresa completar um ano de vida na cidade, pode-se dizer que está instalada definitivamente. No Brasil, é preciso completar cinco anos, período em que fecham 80% das que se instalam, de acordo com o Sebrae.
Luís Eduardo, contudo, enfrenta graves problemas em praticamente todas as áras de infraestrutura, da energia às telecomunicações, passando por transportes, esgotamento sanitário, galerias de águas pluviais, pavimentação asfática e habitação para famílias de baixa renda. São constantes os apagões de energia elétrica e os serviços de telefonia, fixa ou celular, não são eficientes. Para funcionarem sem interrupções, indústrias e bancos, por exemplo, são obrigadas a instalador geradores próprios. Para não ficarem sem internet, contratam mais de um provedor.
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